terça-feira, 18 de outubro de 2016

mais uma postagem downess

Esses dias eu estava lendo The Bell Jar. Lendo devagarzinho no iPad antes de dormir. Quanto mais triste o livre vai ficando, mais vagarosa é a minha leitura. Tem dias que eu só preciso adormecer meus pensamentos com podcasts engraçados e me identificar com as passagens depressivas do livro não é a um bom plano pré REM. Tristeza talvez nem seja a palavra que explique o sentimento que o livro me passa. Eu quis escrever sobre isso exatamente porque em uma das passagens ela diz que não consegue mais ler nem escrever, se não por algumas revistas de fofoca (ou algo similar, acho) que talvez funcionem para ele como os podcasts repetidos servem pra mim. Eu não sei mais nem ler nem escrever (talvez devesse tentar comprar mais livros em vez de ler no iPad pra começar).

Hoje eu esbarrei em um blog antigo que fiz em 2013 para a cadeira de Semiótica. Eu ainda sabia escrever em 2013, mas já lutava contra esse sentimento que me prende pelo braço de incapacidade. Eu estava na bolsa, minha primeira das três que tive até agora. Mas também não fiz o melhor, não dei o melhor. Me convenci que tudo estava ok porque logo iria embora e lá nesse amanhã alcançaria todos os potenciais. Hoje eu estava dirigindo pra faculdade para mostrar o projeto de TCC pro meu orientador. Por um momento no cruzamento das ruas que passo sempre, mas honestamente não sei o nome, me senti fora de mim. Observadora passiva da minha vida. Eu olhava praquele momento trivial como quem assiste uma memória, mas o triste é que a vida ainda estava acontecendo. De novo, triste não era exatamente. Me falta vocabulário. Eu olhava para a vida como se eu tivesse de novo indo embora. Eu acho que minha constante desculpa de estar sempre indo embora é o que me destrói.

Cheguei e apresentei o trabalho porco que tinha feito durante o fim de semana. Eu me sinto impotente por não conseguir trabalhar se não for sob pressão. Eu preciso da pressão pra me mover, mas nunca é tempo o bastante para entregar algo de qualidade. Acho que só três vezes na vida me orgulhei de trabalhos bem feitos na vida acadêmica. Quatro se contar aquela maquete de sistema solar e as roupas pro desfile da escola quando o tema foi astronomia. Mas me corta o olhar de meh dos professores. O olhar de 'nossa, pode melhorar bastante ein'. Mas eu já estou no final da faculdade e realmente não sei como concertar esse defeito, como pegar de volta aquilo que já existiu em algum momento como desejo e nunca se realizou.

Eu preciso dormir porque amanhã tem muito mais.

Nenhum comentário: