terça-feira, 24 de maio de 2016

Dear Diary

Dear Diary, I have been productive. I have been exercising and deciding things for the future. I have been action. I came to the conclusion, once again, that I work better when busy. I need to be busy and keep busy. So i can't think about the meaning of life and freak out again. Though I believe the meaning of live is enjoy yourself. But that may be because I am young. But thank god I am not too young. I saw some teenegers at the pool today. I don't want to be a teenager ever again.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Americanah

Esses dias eu li um livro muito bom, desses que a gente vai lendo bem devagar porque não quer que acabe. Chama Americanah da Chimamanda Ngozi Adichie. Eu a conheci em uma palestra no TED sobre feminismo, mas nunca tinha parado pra ler nenhum de seus livros até então.
Eu tenho lido muito pouco, e escrevo menos ainda.
Embora esteja lendo pouco, uma das minhas metas desse ano é ler livros escritos por mulheres. E lendo esse livro eu senti um afago tão grande, de ser representada e entendida, mesmo que de uma maneira muito indireta.

Primeiro o livro se passa parte na Nigéria, parte nos Estados Unidos.  Aí começou o primeiro ponto. Eu quase nunca penso sobre a África, quase nunca sei de suas diferenças e semelhanças conosco. Outro dia me toquei que ser 'afrodescendente' é genérico demais. Eu imagino que o que de Europa que corre em minhas veias seja Português e Holandês, pela colonização do Nordeste. Mas e de África? O que tem tem em mim? Por um motivo ou outro, pelo número de negros trazidos ao Brasil, me apaguei recentemente a uma idéia que poderia encontrar algumas das minhas raízes na Nigéria. Lugar que aprendi recentemente que também se parte em tantos povos diferentes que até isso é uma generalização grosseira. Inclusive em Fortaleza tem um grupo de produção audiovisual muito bom e engajado chamado Nigéria... onde todos são brancos.

Depois a Ifem, personagem principal, fala muito de como a raça é uma coisa inventada pelos americanos, dentro da vivência dela. Mas eu compartilhei uma experiência parecida. Em 2013, quando fui morar na Inglaterra, foi onde finalmente me entendi negra. Aqui no Brasil eu preciso afirmar pras pessoas a minha negritude e a comentários que tentam me convencer que eu sou no máximo 'moreninha'. Lá eu só era. Mas ao mesmo tempo não me considerava. As experiências de raça são muito diferentes entre aqui e lá. No meu papelzinho de saúde sempre preenchia 'other mixed background'. Lá o negro sabia dizer exatamente de onde vinha, eu nem ideia tinha. E também me surpreendeu muito não ver negro só como marginalizado, ou como exceção.

Aí ela fala sobre o relacionamento com um homem branco americano, no qual eu vi muito do meu próprio relacionamento. Não importa o quão progressista você quer ser, tem coisa que você simplesmente não entende por não viver aquilo. E às vezes, como homem branco acostumado a ter opinião ouvida o tempo todo, não sabe ouvir.

Me identifiquei também com as autosabotagens, com as ansiedades e as faltas de pertencimento aqui e acolá.

De modo geral, o livro vale a pena pela história principal, pelas muitas paralelas, porém enxergar e aprender sobre uma sociedade que raramente nos é apresentada de um ponto de vista sincero e crítico, mas sem estereótipos. Ou ao menos eu imagino que sim. Espero ir a Lagos um dia.