segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Eu lembro daquela transição entre sorveterias e bares que aconteceu em 2011. Uma vez um amigo tinha me dito (pra algo que se aplica a várias áreas da vida) quem descobre a cerveja não quer sair mais pra tomar milkshake. Mas naquela época a gente revezava entre bar e sorveteria e não tomava cerveja. A gente comprava vários coquetéis que com certeza vazia o dono do bar rir um pouco por dentro, principalmente porque nossa conta dava muito mais cara do que se a gente tomasse cerveja. E também porque a gente adorava pedir bolinha de peixe e valia mais que aqueles coquetéis horríveis que eu bebia. Mas eu não gostava de cerveja, ainda não gosto.

Porém agora, 4 anos depois, a transição se completou e ninguém mais marca animado de tomar sorvete. Agora toda dor e tristeza há de ser compartilhada na mesa do bar, assim como toda alegria ou só a celebração do fim de um chato. A gente vai sentar e gastar muito menos em cerveja do que eu gastei antes em hi-fi e leite de burra.  Porém eu sempre vou sair achando que paguei mais pela conversa, já que depois do terceiro copo eu não consigo mais beber.

Aprecio também aquela sensação de leveza que vem no quarto copo e o motivo de eu continuar bebendo de pouquinho em pouquinho,  pra não deixar ela passar. Daí a gente levanta felizinho e segue pra pegar o ônibus que vai estar vago devido a hora. E a gente manda mensagens animadas dizendo que tem que fazer logo de novo porque dias assim são muito bons.

Talvez a gente um dia transite do bar pra casa de alguém, talvez com os filhos, casamentos, divórcios. Mas ao que parece o bar é essa parte da vida que fica por muito tempo.