sábado, 10 de maio de 2014

Namorar é esquisito.  Como me tardei a começar essa atividade social, pulei direto pro namoro que o outro deixa escovas de dentes no seu banheiro e sapatos espalhados pelo o que você tem como casa.
Escrevo com ele deitado do meu lado, e não me preocupo que me leia, já que não sabe meu idioma. O que as vezes me torna bem má, reclamando pros outros na frente dele sem que ele tenha a menor ideia.
Mas enfim.
Namorar.
Todas as sextas ela vem me ver, depois de uma semana inteira de distância. O relógio é sempre nosso inimigo. Algum dia desses esse fim de semana será o último de uma era e quem sabe de nossas vidas. Ele chega e a gente passa um tempo junto, às vezes tira um cochilo.
Depois minhas amigas ligam, e a gente gasta o resto de noite lá. Come quilos. Volta pra casa com sono. Mas ainda querendo alguma coisa. Cansado demais nada funciona direito. Vira e dorme, meio de conchinha, mas na verdade dormir de conchinha dá mais trabalho.
Aí eu acordo, ele tá dormindo. Tudo que eu tenho é um quarto. Vire pro lado e durmo de novo. Mas eu quero acordar e fazer coisas. Dormir não é tão legal quando se tem um monte de sonhos bizarros.
Mas aí tu não quer ver quem ama cansado, de mau humor. Ele trabalha duro a semana inteira e a minha cama é melhor. Eu sou egoísta. Quero companhia, quero passar mais tempo junto e me aventurar, em vez de ficar sempre na cama assistindo seriado e almoçando tarde.
Eu canso.
Eu preciso ver o mundo, mas com que argumento eu arrasto alguém pra fora do quarto quando tudo que tenho é esse céu cinza inglês?
Eu sinto falta do começo, onde não se tinha rotina. Ninguém era tão cansado. E tudo era novo.
Mas deixa.
Vai que isso tudo é amor.

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