terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Memórias

As vezes eu tenho medo de que esse ano que eu estou passando fora de casa, fora de tudo, vá se embora sem memórias, pois nunca mais escrevi.
No mês que cheguei comprei um caderno bonito, de um passarinho de pendurado num balão. Nunca escrevi nada. Colei uns tickets de trem, uns mapas de metrô. Ficou tudo feio e torto.
Eu estou morando com cinco pessoas que não amo, mas são o que eu tenho de família. A gente não se escolheu e se suporta. Eu devo ser de longe, a mais difícil. Mas eles dizem que eu to melhorando a comida. Com lactose tudo fica bom.
O meu quarto está uma bagunça, como sempre. Na gaveta, entre blusas, meias e sutiãs, dorme a escova de dentes do Benjamin. Meu primeiro namorado. Estranho como esse negócio de homem pesou esse ano pra mim. Esbarrei em vários. Aprendi muito. Principalmente que isso não vale tanto. Mas precisava da experiência.
Academicamente esse ano não está sendo um sucesso. Mas eu sei muito mais de mim agora. E apesar da tristeza que bate na constante lembrança/plano de voltar pro Brasil, eu estou ansiosa. Nesse exato momento vou em paz. A Europa é linda e essas semanas viajando de novo com certeza vou me encher de água na boca. Sim. Quero voltar. Mas agora vou pra casa feliz, pra abraçar quem eu amo todos os dias, e depois gritar por estar de saco cheio deles. Sou uma péssima amiga. Nunca mando postais.
Eu to feliz com meu cabelo, mas sempre compro o produto errado. Parece que o nome "dimethicone" só aparece quando eu chego em casa. Falo disse porque estou hidratando o cabelo as 2h da manhã. Estou acordada a 20h. Corri na esteira. Fiz abdominal. Engordei. Mas essa vida de academia não é pra mim.
Eu devia ter prestado mais atenção nas aulas de JavaScript. Eu vou estudar mais. Mas eu preciso começar a dormir. Mas aí, como sempre, me bate a vontade de escrever, de editar, de fazer qualquer coisa que não seja me entregar ao sono.
Eu não fiz amigos na faculdade. Mas eu nunca estou sozinha. Preciso ser menos ranzinza. No fundo fico feliz de não ter 3G.
Devia pagar as taças da Carol.
Devia enviar o postal da minha mãe.
Devia pedir desculpas.

Amanhã eu vou ao cinema. Amanhã eu devia estudar mais. Agora eu devia dormir.

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