sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Leave Mauany's hair alone

I am pretty aware of my hair state. I also do not like it. But I refuse to put my hair back into the hating age. I love myself too much to go back there right now. But I also feel comfortable with it and that is what should matter. Stop trying to hold me back, everyone! Let me have the hair that I have. I knew one of the things that would piss me the most coming back was the constant need of justifying to others, mostly the people who don't matter at all.

Just let me be.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O homem que não permitiu Veneza ser perfeita

Num frio Dezembro eu olhava incrédula pra uma das cidades mais famosas entre cidades famosas. Veneza, também conhecida como Seriníssima, ia ganhando meu coração com suas ruelas, casebres despedaçados e os seus infinitos canais. Eu e mais duas amigas compramos um bilhete da barca, que era uma maneira de experimentar navegar por Veneza sem pagar os 80 euros do rolêzinho nas gôndolas.
Esperávamos a barca chegar sentadas num abrigo no pier quando se aproxima um homem; branco, ao redor dos 40, que não queria tinha nada demais. Usava óculos escuros, bermudas cáqui e segurava uma sacola em uma das mãos e o celular na outra. Nada demais. Até que noto saltando de seu zíper qualquer coisa que não devia estar ali. Me recusando a acreditar, noto que é de fato seu, não tenho nome melhor pra dar, saco. E me assusto e intrigo. O homem agia de modo tão natural. Avisei as minhas amigas, ambas confirmaram e decidimos por ignorar.
A barca não chegou por outros 10 minutos. Longos dez minutos. O homem agora se tocava como se estivesse assistindo o futebol no domingo sozinho na sala de estar. Acuadas nós nos recusávamos a olhar. Ali tão perto de todos e ainda tão vulneráveis. Ele mudou de ângulo para que agora ficasse as nossas vistas mesmo sem escolha. Não nos olhava, mas sabia que nós o podíamos ver.
Quando a barca finalmente chegou não havia alternativa senão passar por ele para embarcar. Ele levantou e com a sacola agora fez um compartimento no qual ninguém, a não ser nós que passávamos por ele, pudéssemos ver os seus movimentos rápidos em volta de seu órgão que aparentemente lhe dava o poder de fazer o que estava fazendo.
Todos embarcamos, ele não. Apenas observava a barca seguir pelo canal enquanto ainda mais frenético movia o braço.

Um minuto depois aquele homem sumiu da minha cabeça, a beleza da cidade, das pontes flutuantes, as casas que davam para a água e tudo mais de belo que Veneza tinha pra mostrar o apagaram totalmente de meus pensamentos.  Contudo quando a memória volta eu me arrependo de não ter lhe gritado, saído dali, chamado alguém. Gritado "Stronzo" com meu italiano paupérrimo que só conhece um xingamento. Apenas sinto que devia ter feito algo, e não deixado que ele roubasse de mim a experiência perfeita que ele estragava com aquela violência. E talvez o constrangimento evitasse que ele repetisse isso com outras pessoas. Nunca saberei.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Block B Flat 109 Room E

Eu lembro quando cheguei em Birmingham e tudo que tinha era um quarto vazio. Fiz de cara um tanto de bagunça para parecer que era meu. Coloquei as fotos que trouxe de casa no quadro sobre a cama. Olhei pra vista da janela, a vida parecia um filme por um instante. Perguntei-me quando aquele quarto vazio, aquela cama, aquele banheiro  seriam finalmente meus.  Esse dia chegou na primeira vez que fiquei longe dele por uma semana. E muitas outras vezes anseie por voltar ao meu quarto como quem retorna de uma batalha ao lar. Era meu. Era porque em pouco tempo não será mais. Ainda me falta um pouco mais que um mês. Porém já não acho a vista tão bonita, agora que uma construção tapa a maior parte dele e tudo que sobrou foi o jardim de containers aqui na frente. Agora olho pro meu quarto como quem se acostuma com a ideia de dar adeus a um ente querido cujo qual se aproxima a hora da partida.


Não importa se um dia voltarei a Inglaterra, ou a Birmingham. Nunca mais voltarei a esse quarto.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

72

Ás vezes pense na breguice que é ainda ter um blog em formato de diário em pleno 2014.  E também como só recorro a essa válvula de escape em momentos de dor. Por isso que todos os meus posts são num estilo "life sucks". Acho ser só down um saco. Fazer o quê.

Hoje me dei conta que tenho VINTE E UM anos de idade. Generosamente diria que me sinto com 19. E eu não sei porque eu carrego em mim essa coisa auto destrutiva. Me dei conta que tenho 21. Me senti velha. Medíocre. O de sempre. Me senti grata também e tentei reconhecer o que  tenho de melhor.  

Porra, Mauany, porque não consegue ser melhor que isso? Pagou por vida no joguinho que você viciou quando você disse que não o faria. Se convenceu que é só porque uma menina que você segue no tumblr que trabalha nele fez. "Ah, legal dar dinheiro pras galeras. Incentiva o mercado e etc" Sim. Mas foi por isso que você o fez? Que semana inútil foi essa, menina?

Lembra que quando se anda um extra mile é que os bons resultados aparecem. 

blablablargh

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Esse ano não será a melhor parte da minha vida.

Velho, que agonia escrota esse negócio de morar fora e depois voltar pra casa. Digo assim, agonia de não saber o que me espera. Ou talvez por saber. Universidade sem muita infra-estrutura, cidade violenta com amigos sendo assaltado toda hora, calor, dividir quarto de novo, (piscina yay), nunca mais ler com o Ipad no ônibus, achar um celular menos chamativo.
Também me esperam meus amigos, minha carteira de motorista, meu primeiro emprego de verdade, meus novos projetos, que só deus sabe quais são. Meus pais, com quem sonho frequentemente. A vida vai dar certo, o começo vai ser difícil, mas a gente se acostuma, se adapta fácil.

sábado, 10 de maio de 2014

Namorar é esquisito.  Como me tardei a começar essa atividade social, pulei direto pro namoro que o outro deixa escovas de dentes no seu banheiro e sapatos espalhados pelo o que você tem como casa.
Escrevo com ele deitado do meu lado, e não me preocupo que me leia, já que não sabe meu idioma. O que as vezes me torna bem má, reclamando pros outros na frente dele sem que ele tenha a menor ideia.
Mas enfim.
Namorar.
Todas as sextas ela vem me ver, depois de uma semana inteira de distância. O relógio é sempre nosso inimigo. Algum dia desses esse fim de semana será o último de uma era e quem sabe de nossas vidas. Ele chega e a gente passa um tempo junto, às vezes tira um cochilo.
Depois minhas amigas ligam, e a gente gasta o resto de noite lá. Come quilos. Volta pra casa com sono. Mas ainda querendo alguma coisa. Cansado demais nada funciona direito. Vira e dorme, meio de conchinha, mas na verdade dormir de conchinha dá mais trabalho.
Aí eu acordo, ele tá dormindo. Tudo que eu tenho é um quarto. Vire pro lado e durmo de novo. Mas eu quero acordar e fazer coisas. Dormir não é tão legal quando se tem um monte de sonhos bizarros.
Mas aí tu não quer ver quem ama cansado, de mau humor. Ele trabalha duro a semana inteira e a minha cama é melhor. Eu sou egoísta. Quero companhia, quero passar mais tempo junto e me aventurar, em vez de ficar sempre na cama assistindo seriado e almoçando tarde.
Eu canso.
Eu preciso ver o mundo, mas com que argumento eu arrasto alguém pra fora do quarto quando tudo que tenho é esse céu cinza inglês?
Eu sinto falta do começo, onde não se tinha rotina. Ninguém era tão cansado. E tudo era novo.
Mas deixa.
Vai que isso tudo é amor.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Esse blog me faz feliz por diferentes motivos. O principal talvez seja o fato de poder voltar aqui e ler algo que eu gosto e que eu mesma gerei sei lá como.
Eu deletei meus velhos diários. O que me incomoda contudo, é a repetição. Eu pareço não aprender com os erros, eu pareço gostar de me machucar.
Mais uma vez eu deixei a vida pra última hora e ela cobrou seu preço. Não durmo mais.  Os pensamentos antes do sono me assombram e eu preciso me derrubar pra poder dormir sem ter que pensar.
Quando eu era apaixonada pelo you know who, eu costumava escrever sempre, sobre tudo, e isso me ajudava a ir além daquela dor e me enxergar melhor. Escrever afinal é terapia. E como alguém que não faz algo há muito tempo eu ainda preciso achar meu tom. 

Tem muita coisa acontecendo de uma vez. Tem o fato de que parece que eu não fiz nada da minha adolescencia quando o Ben pergunta qual o meu livro favorito. Eu não leio mais. Eu sinto falta dos meus amigos que me forneciam livros. Eu sinto falta de sentar na quadra com a cabeça deles no meu colo. A vida passa e é isso.

Eu to muito assustada com a vida agora, e deve ser isso que me dá essa azia que me impede de dormir, esse desconforto no estômago e no juízo. Eu nunca deixo o Ben dormir até tarde porque eu mesma perdi tal habilidade de só dormir.  E a privação do sono com certeza não ajuda. São 2h da manhã no Brasil e eu não posso acordar minha mãe pra ouvir uma voz que me acalme.

Por dez dias eu acordei do lado de alguém que me ama, por dez dias tinha um outro ser aqui pra me aquecer e me abraçar e me ajudar a saber melhor de mim. Eu li que o mundo não espera você saber melhor de si pra te cobrar algo de qualidade. 21 anos. Eu estou velha.

Odeio a expectativa dos meus vizinhos. Odeio saber que sou medíocre. 

Vou ver mais tv, uma maneira de escapar de pensar e de fazer. Mas estou feliz de vir escrever aqui, parece um primeiro passo. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

As árvores na primavera brotam de uma vez, como certas meninas, depois de um longo inverno.
Sem tempo pra entender o que se passava, se deixou levar pela vida.

Roubaram-lhe a primeira flor. E de flores em flores roubadas chegou o Outono que lhe a tirou todas as folhas, trazendo a de volta pra um inverno.

Mas o que a pequena sabia é que a primavera sempre volta.

segunda-feira, 24 de março de 2014

De nada adianta acordar as 6 da manhã se você vai passar o dia com sono sendo improdutiva.

comece alguma coisa. seja lá o que for.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Memórias

As vezes eu tenho medo de que esse ano que eu estou passando fora de casa, fora de tudo, vá se embora sem memórias, pois nunca mais escrevi.
No mês que cheguei comprei um caderno bonito, de um passarinho de pendurado num balão. Nunca escrevi nada. Colei uns tickets de trem, uns mapas de metrô. Ficou tudo feio e torto.
Eu estou morando com cinco pessoas que não amo, mas são o que eu tenho de família. A gente não se escolheu e se suporta. Eu devo ser de longe, a mais difícil. Mas eles dizem que eu to melhorando a comida. Com lactose tudo fica bom.
O meu quarto está uma bagunça, como sempre. Na gaveta, entre blusas, meias e sutiãs, dorme a escova de dentes do Benjamin. Meu primeiro namorado. Estranho como esse negócio de homem pesou esse ano pra mim. Esbarrei em vários. Aprendi muito. Principalmente que isso não vale tanto. Mas precisava da experiência.
Academicamente esse ano não está sendo um sucesso. Mas eu sei muito mais de mim agora. E apesar da tristeza que bate na constante lembrança/plano de voltar pro Brasil, eu estou ansiosa. Nesse exato momento vou em paz. A Europa é linda e essas semanas viajando de novo com certeza vou me encher de água na boca. Sim. Quero voltar. Mas agora vou pra casa feliz, pra abraçar quem eu amo todos os dias, e depois gritar por estar de saco cheio deles. Sou uma péssima amiga. Nunca mando postais.
Eu to feliz com meu cabelo, mas sempre compro o produto errado. Parece que o nome "dimethicone" só aparece quando eu chego em casa. Falo disse porque estou hidratando o cabelo as 2h da manhã. Estou acordada a 20h. Corri na esteira. Fiz abdominal. Engordei. Mas essa vida de academia não é pra mim.
Eu devia ter prestado mais atenção nas aulas de JavaScript. Eu vou estudar mais. Mas eu preciso começar a dormir. Mas aí, como sempre, me bate a vontade de escrever, de editar, de fazer qualquer coisa que não seja me entregar ao sono.
Eu não fiz amigos na faculdade. Mas eu nunca estou sozinha. Preciso ser menos ranzinza. No fundo fico feliz de não ter 3G.
Devia pagar as taças da Carol.
Devia enviar o postal da minha mãe.
Devia pedir desculpas.

Amanhã eu vou ao cinema. Amanhã eu devia estudar mais. Agora eu devia dormir.