quarta-feira, 22 de maio de 2013

O que a gente espera da vida, afinal??

Lembro que na minha viagem pro Rio eu me deixei ser um bocado de coisa que eu não sou por aqui. Tipo legal com os hippies que vendem bijuterias nas praças e etc. Eu estava sentada na Praia Vermelha, com a Germana, de cara com o tamanho da beleza de um praia tão pequena, assim no meio da cidade, de frente pra pracinha, entre o Pão de Açúcar e o Instituto Militar de Engenharia. O cara chegou, com o rosto tatuado e calça jeans remendada com arame, pediu licença, falou que faria um anel pra gente e o preço a pagar seria "espontâneo". Ele estava meio choroso e começou a falar do amor que ele perdeu, que se perdeu dele, que fugiu, não entendi direito. Ele dizia que ela cuidava bem dele como nem a mãe dele tinha cuidado (homens...) e que não sabia onde ela estava agora, que doía a saudade dela. E me deu um desespero, porque esse pessoal não tem celular (eu acho), ou facebook, muito menos um endereço. Será que ele ia ficar no mesmo lugar esperando pra ver se ela voltava? E onde será que estava ela, com quem? Nunca saberei.


Olhei pra minha amiga, depois de pagar 2 reais por um arame dobrado que eu ainda tenho, E disse "Eu acho muito legal esse povo que tem coragem de viver por aí e ser como eles." E ela com cara de what-the-flying fuck-are-you-saying disse "Sério? Eu não, imagina nem ter onde tomar banho!" Depois chegou o namorado dela, e riu das "bobonas" que caíram no golpe do cara e pagamos por aquele pedaço de nada. Mal sabe ele que dois reais eram pouco pra tudo que eu senti enquanto ele chorava pelo amor sumido e por tudo que eu pensei vendo as tatuagens no rosto dele, marcas explícitas das escolhas que ele tinha feito.
O que é a vida? Um lugar onde tomar banho com seu namorado?
Ontem eu vi um casal deitado as  4 da tarde conversando num colchão embaixo de uma marquise. Sujos, sem privacidade, mas ainda assim pareciam tão felizes. Algumas poucas vezes eu experimentei essa sensação que o mundo pode ruir, que o outro te basta. E eu seei que não dura pra sempre e por isso que a gente deve ter cautela nas escolhas e blablablá (vizinho de 19 anos com a vida fodida, não a foda ainda mais casando com sua namorada agora só porque os pais de vocês não os deixam transar em paz). Mas o meu ponto é enxergar o que realmente vale a pena na vida, se você deve ficar eternamente no seu banheiro com água encanada e saneamento básico, ou se você deve sair por aí buscando o que realmente importa. Ouvir as histórias, ver as paisagens que vão te tirar o fôlego, conhecer alguém num trem.
Os dias passam tão rápidos, quem será que está certo? O cara que tem como desafio arrumar o próximo pão, ou a pessoa que reclama de como é engarrafado o trânsito até a academia? Quem será que ganha mais? O moço que dormiu num sofá apertado na casa de alguém simpático que ofereceu um abrigo pra noite, ou quem ficou no hotel mais ou menos e foi nos pontos turísticos pra tirar foto e fazer os outros invejosos?
Não é que existam só esses extremos, mas quem é na vida que você quer ser afinal? (isso sou eu falando comigo)





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