quarta-feira, 1 de maio de 2013

A falta que nos move

Eu consigo lembrar tão bem da semana que antecedeu meu aniversário do ano passado. Abril foi um mês complicado. Eu tinha acabado de entrar na faculdade, mas o horário batia com o ifce. Então eu era aquele meio termo que não era nada. Eu fui pra aula numa segunda-feira que o professor não apareceu.  No final do dia eu tava no hospital com 40 graus de febre e um médico tarado dizendo pra eu voltar semana que vem, que era virose. Era dengue. Fiquei duas semanas pra morrer; primeira vez que tomei soro e dormi em hospital. E eu só pensava no Los Hermanos que ia tocar no sábado.
Eu não queria fazer nada, como não estou muito animada pra fazer nesse também. Mas acabei tendo a pior festa de aniversário de todas as que eu já tive. A festa nem foi

tão ruim, mas eu me senti como lixo. Naquela época já era assombrada por um sentimento que continua por aqui. Tinha vômito nas paredes, beijo gay sexy as hell no sofá, e tudo isso na casa que nem era minha com gente que não devia tá lá. Pocket nightmare. Mas passou e o bolo tava uma delícia. 
O ano passou inteiro e já estou eu de novo aqui. Beirando os 20, muito incerta do que foi esse 19. Ainda em 2011, alguém me disse que tem uma teoria sobre o tempo, que quanto mais velho a gente é, mas rápido ele passa. A famosa frase "A vida voa depois dos 15". Acho que é a rotina que nos mata.
Muita coisa boa me aconteceu esse ano já.  Mas aniversário é mesmo o inferno astral. Tudo de pior que  a gente pode sentir bate na gente nessa época.
Como era de se esperar eu sinto saudades do Inglês. Porque era outras pessoas pra olhar e tal. Agora só tem faculdade. E nem a faculdade tá direito. Eu andei sozinha até a saída do pici e é tão pouco familiar fazer isso. Me lembrei dos semestres passados, com todo mundo caminhando junto ao pôr do sol. Agora só sou eu e meus fones de ouvido. 

Eu sei que eu posso me engajar em algo e ter pessoas. Acho que o meu segredo é que eu sempre sei onde ~arranjar~ pessoas. Mas talvez seja o momento de ficar comigo mesma. De ir ao cinema sozinha, de ler mais livros. De esperar que as pessoas me arranjem. 
Eu me sinto, precisamente, como alguém que saiu de um relacionamento. Porque quando você namora, aquela pessoa se torna o seu mundo, as suas horas livres, os seus domingos, a ligação da madrugada, a mão amiga, o ombro amigo. E quando acaba você precisa se redescobrir. Eu, que não estive num namoro, estou saindo de um relacionamento e talvez seja  a melhor coisa que me aconteceu. Embora agora eu ainda esteja perdida fazendo compras no Carrefour.

Pior é que não dá nem pra construir nada. Eu estou indo embora pra construir muito mais. Eu estou caminhando pro meu sonho. A vida está boa. É que sempre nos falta qualquer coisa né. Contudo, eu já estou grande o suficiente pra saber que até nessa falta a gente pode encontrar combustível. 

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