domingo, 28 de abril de 2013

Todo mundo morre.

Lembrei que eu vou morrer
Não haverá mais de mim caminhando
Ou correndo da/na chuva
O mundo não vai acabar
Vai continuar mundo.
O mesmo.
E ninguém vai notar que um pedaço dele se foi.
Muitos pedaços se vão.
Talvez alguém note um canto vazio à mesa.
Mas a maioria só vai lembrar de mim por uma semana, talvez um mês.
Vão lembrar do passado.
Se ainda tiver passado pra lembrar.
Poderia torcer pra que muitos soubessem.
Mas não vale a pena saber, mas não sentir.
Todo mundo morre sozinho.

Aí alguém passa pela árvore que eu plantei, e nem sabe a quem agradecer pela sombra.
Pensa que foi passarinho.
Se ainda sobrarem árvores até lá.
Não vou construir prédios.
Mas talvez tenha uma rua com meu nome.
Um famoso anônimo.
Quem foi Jovita Feitosa?
Ou Padre Antônio Thomás?
Quem se importa com o Albano Amaral?
Eu quero fazer um filme.
Mas é tanta informação.
Nem os clássicos sobrevivem. É o hoje por hoje.
E aí eu tenho filhos.
Que me levarão flores em dias santos.
Mas as minhas cinzas se espalharão no céu.
Se houverem cinzas.
Se eu morrer na minha cama olhando pros meus parentes que já estão do outro lado.
Mas talvez não sobre pedacinho de mim.
Talvez nunca achem meu corpo que caiu no mar.
Eu só quero ir como quem dorme pra nunca mais acordar.
Eu quero que o céu seja a tinta que pinte o quadro que entrará minha vida, e que seja eterna.
Espero que exista um outro lado tranquilo, mas que eu não me lembre do lado de cá.
Ou que o vazio preencha.
Eu espero que eu tenha tempo de pensar comigo mesma que valeu a pena.


And one day we will die and our ashes will fly from the aeroplane over the sea,
But for now we are young let us lay in the sun.

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