segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Eu chorando no meio da maior biblioteca da Europa.

Hoje é um desses dias que eu to num lugar que poderia parecer minha casa e tudo o que eu queria era sair daqui sem enfrentar o maior frio do mundo e chegar na minha casa.
Ver os meus pais, brigar com a minha irmã, comer a comida da minha vó.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

História real numa segunda-feira privada de sono.

A primeira vez que falei seu nome foi pra pedir seu telefone emprestado. De todos aqueles rostos novos, ele me pareceu o mais amigável.
Atravessamos a rua fora da faixa.
Um dia ele falou do meu sotaque com seu sotaque mole. Sentou do meu lado. Lavou meu prato.
Outro dia conversamos até o sol que demora a nascer aparecer na janela.
Ele nasceu no dia do aniversário do meu melhor amigo.
Andamos de bicicleta. 
Nos abraçamos. 
Fomos na roda gigante e tiramos uma foto.
Atravessamos a rua na faixa famosa.
Nos perdemos e nos vimos de madrugada.
Nos abraçamos deitados no escuro. 
Ficamos bêbados.
Nos beijamos.
Nos esquecemos e acabamos.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

São quatro da manhã.

São quatro da manhã e eu não sou o prodígio que eu fui na infância.
Meu blog não é um sucesso como meus poemas infantis já foram.
São quatro da manhã e eu não sou excepcional.
Eu não sei fazer nada que alguém não saiba no meu curso da faculdade.
Eu quero desistir do meu curso e ir pra algum lugar que eu me sinta relevante no sentido de valer a pena.
Mas eu sou preguiçosa e procrastinadora.
São quatro da manhã e eu não fui dormir porque eu não quis.
São quatro da manhã e eu nunca fiz um filme.
São quatro da manhã e eu nunca fiz um cartaz.
São quatro da manhã e meu roteiro é ruim.
São quatro da manhã e eu não tenho um grande amor.
Ninguém vai dizer que me ama no portão de embarque.
Nenhum professor vai elogiar meu desempenho.
Meu chefe vai me demitir.
São quatro da manhã e eu sou um desperdício de tempo.
São quatro da manhã e minha sensibilidade é uma mentira.
São quatro da manhã e eu não escrevi um livro.
São quatro da manhã e eu perco as melhores oportunidades.
São quatro da manhã e não é possível que eu não possa fazer diferente.
São quatro da manhã e a vida é uma bela de uma falta do que fazer.

sábado, 3 de agosto de 2013

Uma descoberta por dia.

Eu nunca me senti bonita. Nunca me senti bonita porque desde sempre achei que me faltava algo. Me faltava o cabelo certo, o nariz certo, o queixo certo, a barriga certa, a roupa certa. Então eu decidi que ia apostar tudo na minha inteligência suposta, no meu discurso, nas minhas opiniões. Mas a menina que não sabia falar direito, que ria das piadas idiotas e que deixava os meninos impressioná-la, ganhava todos os meninos no final da noite. Por muito tempo eu não liguei. Eu acordava e não gostava do meu cabelo, achava que tinha que saber me maquiar. Minha mãe dizia que eu não precisava tirar a sobrancelha porque elas já era bonitas, a menina da minha sala discordava. Com 6 anos na fila da merenda a menina disse que eu parecia um menino e eu nunca mais esqueci. Eu acordei todos os dias insegura de sair na rua. Eu passava batom, mas me achava ridícula e limpava a boca a caminho do ônibus. E quando um dos meninos se aproximava, eu achava que ele queria rir de mim ou eu nunca aceitava a veracidade dos sentimentos dele. Eu nunca disse que gostava do menino que me mandou uma carta com meu nome feito com corações. Eu não era boa o suficiente.
Mas eu era inteligente, eu tinha lido, assistido filmes, ouvido tudo que eu podia ouvir, discutia política, religião, economia e até futebol. Um dia eu me sentia feia enquanto estudava física depois da natação.  Meus cabelos estavam bagunçados. Minha blusa era apertada e fazia minha barriga aparecer. Um menino na biblioteca apontou pra mim. E eu presumi que ele estava me criticando ou sei lá o quê. Mas por uma ironia do destino, quatro dias depois eu me apaixonei por ele.
Alisei o cabelo, me senti melhor comigo mesma. Sentia que eu não devia nada por não andar mais despenteada. Tentei aprender tudo sobre ele. Ignorei meus gostos e o adorava como um pequeno rei. Eu me violentei e me anulei, e o pior de tudo, eu me senti burra, intelectualmente inferior, a um menino que nunca me disse oi e que nunca passou pelo que eu passei na vida. Um menino que tudo que tinha para me oferecer era um olhar curioso e ansioso que escapava quando chegávamos perto demais.
Mais tarde eu descobri que eu era que era boa demais pra ele, mas era muito tarde.
Era tarde porque eu precisei da minha vida toda pra entender que eu nunca fui insuficiente como eu achava. Que meu cabelo é um retrato de quem eu sou. Que meu cabelo crespo que nunca se acalma, urge pela liberdade de ser quem é. Meu cabelo se rebela contra o resto da sociedade que o subjuga. Meu cabelo se rebela contra a minha falta de amor por mim.
Finalmente entendi que aqueles que não aceitam o meu cabelo, as minhas feições, as minhas opiniões, não consideram válida a minha inteligência, esses é que não são dignos de mim. Esses que não compreendem a importância de ser o que eu nasci e o que eu me torno todos os dias não são dignos do meu tempo.

Quisera eu voltar praquela menina que se sofre e se mutilou de tantas maneiras e dizer pra ela que o errado era o mundo. Queria eu voltar no tempo e dizer pra ela nunca ter tentando se encaixar, porque o mundo que se molde em volta dela. Porque ela é incrível. E o que se apagou no tempo não volta mais. Que ela devia ter aprendido mais sobre ela própria. Que ela devia ter se levantado e gritado pra que outras meninas se unisse ao seu grito, porque todas essas meninas ainda estão sendo esquecidas por elas próprias em nome de inúmeros outros.Não, não é essa consciência que vai tornar mais fácil a caminhada. Mas agora ela pode aprender mais para onde seguir.

 Agora eu sei o que realmente me importa e eu nunca mais vou me deixar abater, apesar das dificuldades, apesar do resto do mundo. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Saindo do armário.

Oi meu nome é Mauany e recentemente eu descobri que sou feminista. 
Na verdade eu descobri que sempre fui, mas que tinha muita coisa em mim que estava na direção errada. Achava que ser estuprada ou  sofrer qualquer tipo de assédio era culpa da vítima, que mulher tinha que ser de poucos homens (um só não, mas poucos) para se dar valor. Mas eu sempre achei que a mulher poderia fazer suas escolhas, escolher não usar sutiã. Se  o peito era “caído", que fosse. Mas que também tinha o direito de colocar silicone sem ser chamada de fútil. Odiava o eterno julgamento das minhas tias avós sobre a vida dos outros. A vida dela, deixa ela. A vida é dele, deixe ele (enquanto não atrapalhasse mais ninguém).
Depois de adquirir mais informação sobre o Feminismo, comecei a ler mais sobre o assunto, e embora não seja um conceito fechado ou uma doutrina, você vai se tornando uma pessoa melhor com a prática e a reflexão dos seus atos. E se eu nunca me atraí por nenhum tipo de luta, encontrei no Feminismo  a minha bandeira.
Cá estava eu escrevendo um roteiro para uma cadeira da faculdade. Os requisitos eram: ser um curta de ficção. Tinha decidido que pelo menos a protagonista ia ser mulher e que o tema principal não ia ser romance (não que seja errado, mas já tem demais por aí). Mas caminhei por vários caminhos até chegar numa história que me comoveu. A história de uma gravidez indesejada. 
Apresentei a ideia ao meu professor hoje. E a primeira reação dele foi “aí ela não aborta né?" E a cara de chocado quando eu disse que sim.
Talvez seja muito difícil  mesmo para uma pessoa assimilar que escolher se priorizar em relação a um projeto de bebê não é apenas um ato de egoísmo, e sim uma escolha difícil a ser tomada. Depois ele perguntou “Mas quem é o pai da criança?" E eu disse que não era relevante. Ele prosseguiu questionando a minha escolha em terminar a história com ela saindo da clínica, depois de realizar o aborto, pois era previsível. Eu expliquei que o foco da minha história era a personagem e o drama que ela passa ao longo desse curta, e não um ponto de virada hollywoodiano. Eu estou contando a história de uma escolha. Ele sugeriu que eu terminasse então com ela sendo chamada para entrar na sala, restando assim ao espectador deduzir se ela fez ou  não. Dei um sorriso amarelo e disse que adorei a sugestão (me julguem, preciso de nota pra passar de  semestre).
Entro no carro de um colega com mais duas amigas, desabafo a situação. Meu colega diz que mais legal seria se ela tivesse um conflito religioso. NÃO, BROTHER. Você não sabe do que eu quero falar porque você não tem ideia do que é ser julgado já pela sociedade (ele achou que era um puro questionamento legal, pelo fato do aborto ser crime). Mesmo que fosse só isso, já era muito. O privilegiado nunca enxerga o privilégio.
Meu professor perguntou qual era a minha opinião em relação ao assunto. E expliquei minhas bases. Ele disse que eu devia adequar a história para que não fosse um filme militante. Eu disse que eu queria levantar o questionamento.
Hoje eu dei minha cara a tapa em nome de algo que eu acredito. E é difícil. Tem todo tipo de gente no mundo. E todos os tipos de desigualdade com os quais temos que lidar dia após dia. O mundo nunca será perfeito e o Brasil ainda tem muito o que evoluir pela frente. Mas se eu mudei, graças a leitura e depoimento dos outros, quero eu também ser essa multiplicadora de reflexão. Que a minha arte venha para incomodar. 

sábado, 1 de junho de 2013

When everything is lonely I can be my own best friend

Things are getting weird lately. This is the best year of my life. Lots of great stuff happened and will. But I feel lonely. I don't know where are my true friends and it's pretty hard connect to them right now. Some of them are dating, and then we have this shitty excuse to not have time to see each other. But some I'm just losing. And it's like on purpose. In the other hand I'm getting along with old new friends. Still not feeling right though.

I know for sure all this crappy feelings will vanish eventually. And I'll feel happy again, because I'm blessed with the oportunity of always have a way to get out of this awkward phases. But deep down I am conscious that something will  always be missing. And now I have tears in my eyes as I did when I was sat by myself in Mallu's concert while she sang "Lonely".


When I was a little girl I had this fear and, somehow, a certain that I would be lonely in the future. First of all, because I used to hate everyone and their "stupidity". I changed a lot, but I'm still so lost. Probably for this reason I'm always thinking about getting away. "to love is coming back". I have reasons to never come back.

And this voice in my head saying that I'm not good enough, by choice, to be all what I want to be. I am this crazy lost-in-thoughts girl, always trying to not care. But I do care more and more everyday and it hurts. Although I don't change a thing about what bothers me. I'm a lazy procrastinator. I'm so afraid of failure at the things I can succeed. I'm wasting all the chances of being amazing. I'm wasting all the oportunities to be all that I can be.

I need to be my own best friend, but I don't want to be my only best friend.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O que a gente espera da vida, afinal??

Lembro que na minha viagem pro Rio eu me deixei ser um bocado de coisa que eu não sou por aqui. Tipo legal com os hippies que vendem bijuterias nas praças e etc. Eu estava sentada na Praia Vermelha, com a Germana, de cara com o tamanho da beleza de um praia tão pequena, assim no meio da cidade, de frente pra pracinha, entre o Pão de Açúcar e o Instituto Militar de Engenharia. O cara chegou, com o rosto tatuado e calça jeans remendada com arame, pediu licença, falou que faria um anel pra gente e o preço a pagar seria "espontâneo". Ele estava meio choroso e começou a falar do amor que ele perdeu, que se perdeu dele, que fugiu, não entendi direito. Ele dizia que ela cuidava bem dele como nem a mãe dele tinha cuidado (homens...) e que não sabia onde ela estava agora, que doía a saudade dela. E me deu um desespero, porque esse pessoal não tem celular (eu acho), ou facebook, muito menos um endereço. Será que ele ia ficar no mesmo lugar esperando pra ver se ela voltava? E onde será que estava ela, com quem? Nunca saberei.


Olhei pra minha amiga, depois de pagar 2 reais por um arame dobrado que eu ainda tenho, E disse "Eu acho muito legal esse povo que tem coragem de viver por aí e ser como eles." E ela com cara de what-the-flying fuck-are-you-saying disse "Sério? Eu não, imagina nem ter onde tomar banho!" Depois chegou o namorado dela, e riu das "bobonas" que caíram no golpe do cara e pagamos por aquele pedaço de nada. Mal sabe ele que dois reais eram pouco pra tudo que eu senti enquanto ele chorava pelo amor sumido e por tudo que eu pensei vendo as tatuagens no rosto dele, marcas explícitas das escolhas que ele tinha feito.
O que é a vida? Um lugar onde tomar banho com seu namorado?
Ontem eu vi um casal deitado as  4 da tarde conversando num colchão embaixo de uma marquise. Sujos, sem privacidade, mas ainda assim pareciam tão felizes. Algumas poucas vezes eu experimentei essa sensação que o mundo pode ruir, que o outro te basta. E eu seei que não dura pra sempre e por isso que a gente deve ter cautela nas escolhas e blablablá (vizinho de 19 anos com a vida fodida, não a foda ainda mais casando com sua namorada agora só porque os pais de vocês não os deixam transar em paz). Mas o meu ponto é enxergar o que realmente vale a pena na vida, se você deve ficar eternamente no seu banheiro com água encanada e saneamento básico, ou se você deve sair por aí buscando o que realmente importa. Ouvir as histórias, ver as paisagens que vão te tirar o fôlego, conhecer alguém num trem.
Os dias passam tão rápidos, quem será que está certo? O cara que tem como desafio arrumar o próximo pão, ou a pessoa que reclama de como é engarrafado o trânsito até a academia? Quem será que ganha mais? O moço que dormiu num sofá apertado na casa de alguém simpático que ofereceu um abrigo pra noite, ou quem ficou no hotel mais ou menos e foi nos pontos turísticos pra tirar foto e fazer os outros invejosos?
Não é que existam só esses extremos, mas quem é na vida que você quer ser afinal? (isso sou eu falando comigo)





quarta-feira, 1 de maio de 2013

A falta que nos move

Eu consigo lembrar tão bem da semana que antecedeu meu aniversário do ano passado. Abril foi um mês complicado. Eu tinha acabado de entrar na faculdade, mas o horário batia com o ifce. Então eu era aquele meio termo que não era nada. Eu fui pra aula numa segunda-feira que o professor não apareceu.  No final do dia eu tava no hospital com 40 graus de febre e um médico tarado dizendo pra eu voltar semana que vem, que era virose. Era dengue. Fiquei duas semanas pra morrer; primeira vez que tomei soro e dormi em hospital. E eu só pensava no Los Hermanos que ia tocar no sábado.
Eu não queria fazer nada, como não estou muito animada pra fazer nesse também. Mas acabei tendo a pior festa de aniversário de todas as que eu já tive. A festa nem foi

tão ruim, mas eu me senti como lixo. Naquela época já era assombrada por um sentimento que continua por aqui. Tinha vômito nas paredes, beijo gay sexy as hell no sofá, e tudo isso na casa que nem era minha com gente que não devia tá lá. Pocket nightmare. Mas passou e o bolo tava uma delícia. 
O ano passou inteiro e já estou eu de novo aqui. Beirando os 20, muito incerta do que foi esse 19. Ainda em 2011, alguém me disse que tem uma teoria sobre o tempo, que quanto mais velho a gente é, mas rápido ele passa. A famosa frase "A vida voa depois dos 15". Acho que é a rotina que nos mata.
Muita coisa boa me aconteceu esse ano já.  Mas aniversário é mesmo o inferno astral. Tudo de pior que  a gente pode sentir bate na gente nessa época.
Como era de se esperar eu sinto saudades do Inglês. Porque era outras pessoas pra olhar e tal. Agora só tem faculdade. E nem a faculdade tá direito. Eu andei sozinha até a saída do pici e é tão pouco familiar fazer isso. Me lembrei dos semestres passados, com todo mundo caminhando junto ao pôr do sol. Agora só sou eu e meus fones de ouvido. 

Eu sei que eu posso me engajar em algo e ter pessoas. Acho que o meu segredo é que eu sempre sei onde ~arranjar~ pessoas. Mas talvez seja o momento de ficar comigo mesma. De ir ao cinema sozinha, de ler mais livros. De esperar que as pessoas me arranjem. 
Eu me sinto, precisamente, como alguém que saiu de um relacionamento. Porque quando você namora, aquela pessoa se torna o seu mundo, as suas horas livres, os seus domingos, a ligação da madrugada, a mão amiga, o ombro amigo. E quando acaba você precisa se redescobrir. Eu, que não estive num namoro, estou saindo de um relacionamento e talvez seja  a melhor coisa que me aconteceu. Embora agora eu ainda esteja perdida fazendo compras no Carrefour.

Pior é que não dá nem pra construir nada. Eu estou indo embora pra construir muito mais. Eu estou caminhando pro meu sonho. A vida está boa. É que sempre nos falta qualquer coisa né. Contudo, eu já estou grande o suficiente pra saber que até nessa falta a gente pode encontrar combustível. 

domingo, 28 de abril de 2013

Todo mundo morre.

Lembrei que eu vou morrer
Não haverá mais de mim caminhando
Ou correndo da/na chuva
O mundo não vai acabar
Vai continuar mundo.
O mesmo.
E ninguém vai notar que um pedaço dele se foi.
Muitos pedaços se vão.
Talvez alguém note um canto vazio à mesa.
Mas a maioria só vai lembrar de mim por uma semana, talvez um mês.
Vão lembrar do passado.
Se ainda tiver passado pra lembrar.
Poderia torcer pra que muitos soubessem.
Mas não vale a pena saber, mas não sentir.
Todo mundo morre sozinho.

Aí alguém passa pela árvore que eu plantei, e nem sabe a quem agradecer pela sombra.
Pensa que foi passarinho.
Se ainda sobrarem árvores até lá.
Não vou construir prédios.
Mas talvez tenha uma rua com meu nome.
Um famoso anônimo.
Quem foi Jovita Feitosa?
Ou Padre Antônio Thomás?
Quem se importa com o Albano Amaral?
Eu quero fazer um filme.
Mas é tanta informação.
Nem os clássicos sobrevivem. É o hoje por hoje.
E aí eu tenho filhos.
Que me levarão flores em dias santos.
Mas as minhas cinzas se espalharão no céu.
Se houverem cinzas.
Se eu morrer na minha cama olhando pros meus parentes que já estão do outro lado.
Mas talvez não sobre pedacinho de mim.
Talvez nunca achem meu corpo que caiu no mar.
Eu só quero ir como quem dorme pra nunca mais acordar.
Eu quero que o céu seja a tinta que pinte o quadro que entrará minha vida, e que seja eterna.
Espero que exista um outro lado tranquilo, mas que eu não me lembre do lado de cá.
Ou que o vazio preencha.
Eu espero que eu tenha tempo de pensar comigo mesma que valeu a pena.


And one day we will die and our ashes will fly from the aeroplane over the sea,
But for now we are young let us lay in the sun.

sábado, 27 de abril de 2013

Birmingham

Eu tinha uns treze anos e estava me balançando na rede da sala olhando pro teto de gesso, pro buraco perto da lâmpada, daydreaming sobre meu futuro. Eu dizia que era uma estudante de design gráfico em Londres. 
Eu tenho uma coisa estranha de achar que todos os meus sonhos se realizam, só que de maneira torta. Eu, que queria ser jornalista, acabei estudando Mídias Digitais.

O curso nem sempre se parece com o que eu queria, ou o que eu queria quando escolhi não é o que eu quero hoje. Mas em resumo, eu acabei podendo ir pra Inglaterra estudar design gráfico e outras coisas mais. Eu vou estudar Media & Communications para Web e Novas Mídias em Birmigham. Podia ser Londres, mas eu gostei mais desse curso do que dos que eu achei lá. 
O mais longe que eu fui de casa foi ao Rio de Janeiro e o fato de estar indo pra outra país é assustador. Morar só u m ano inteiro com uma 'college life'... Mas quem sabe lá eu ache essa fim de tarde acolhedor que eu sempre imagino e me sinto nostálgica sem nunca ter vivido. 
Eu vejo todo mundo tão feliz mudando capa de facebook, marcando churrasco e eu não me sinto assim. Me sinto bem, mas nem quero gritar pro mundo essa alegria. Eu tenho muitas incertezas e medos. Os mais ridículos possíveis.  Tem um grupo de meninas no facebook falando sobre depilação e maquiagem, além de todos os british boys que elas pretender pegar e etc. E eu me sinto tão por fora dessa onda toda, eu não sei ser mulherzinha nesses aspectos e sempre achei que meninas assim são cruéis. E eu fiquei com medo de não querer ir as festas e só ficar andando em museus... Mas é simplesmente impossível que essa experiência seja ruim. Talvez seja só não expectativar demais.Só de todos os países que vou poder conhecer e tudo que eu vou aprender... Essa é a hora. 2013 é o ano mais legal de todos. E se eu acreditassem em numerologia, diria que 6 é o meu número. 
Acho que se eu não fizer agora tudo que eu tenho pra fazer/desenvolver, eu não farei nunca.
"Você vai dar certo porque a maioria das pessoas é preguiçosa". Só me resta não ser preguiçosa.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Manhã de Quinta




Texto feito pra cadeira de semiótica, mas postado na íntegra aqui.



Acordei muito cedo. Pela terceira vez seguida, o que é uma raridade e um tanto assustador depois de quase um mês indo dormir depois do sol nascer. Vou sentir dor de cabeça mais tarde, com certeza. Adoro as cores do céu essa hora. Da minha janela gradeada vejo o céu laranja e lilás cortado entre o cinza das barras da grade. Não ouço passarinhos cantarem. Faz tempo. Acho que é a desvantagem de morar na cidade. Passarinho tem muito mais o que fazer.


Eu podia me levantar agora, já que não vou conseguir mais dormir. Mas meu primeiro compromisso do dia é as 11h, então dá tempo checar os e-mails que não chequei ontem. Também posso ver os vídeos que ficaram faltando aquele dia. Mal dou por mim, já se passaram duas horas. Aposto que vou me atrasar. Não sei que roupa vestir. Eu não sei o que comer. Resolvo calçar meu tênis favorito com meu vestido estampado. Não tenho a menor ideia se eles combinam, mas quero arriscar. Eu iria de calça, mas elas estão todas muito frouxas desde que perdi cinco quilos em um mês.

Um mês sem comer sólidos "fazem milagres". Ainda bem que eu posso comer de novo, embora ainda não esteja acostumada com a mordida nova. Nem como eu me pareço. Me olho no espelho pra checar. Quem é essa que me olha com esses olhos pidões? Sorrio. Gosto de ter certeza que sou por trás desses olhos e dessas bochechas imensas. Tomara que elas diminuam ainda. Devia fazer um plástica no nariz também. Sempre penso nisso desde que operei. Eu nunca tive nada contra o meu nariz, mas agora ela parece imenso. Melhor correr pro banho. Lavo o cabelo? Não dá tempo. O telefone toca, minha mãe. Eu pedi pra ela me ligar as 9h, pra garantir que eu não me atrasaria.









- Já acordou?




- Já sim, estou quase pronta. Mas acho que vou comer na padaria da esquina.


- Eu ia propor isso, lá eles tem umas vitaminas muito boas. Evite comer coisas sólidas hoje. Não tenho certeza se você já está bem.


- Ok. Tenho que ir, mãe. Te amo.






- Te amo também, qualquer coisa me liga.









Olho pra mim de vestido e tênis. Acho que tá bom. Jogo o minimo de coisas na mochila. Olho pras minhas pernas. Eu não tive tempo de ir ao salão desde a cirurgia. Parece um king kong de pelos. Eu tenho muita vergonha dos pelos do buço e nas pernas. Principalmente na canela. Pego um nescau na geladeira, não vai dar tempo passar na padaria. Saio do meu apartamento, dou bom dia ao porteiro e vejo os pelo horrivelmente gritando por causa do sol. Não sei o que fazer. Subo no ônibus, coloco os fones de ouvido. Observo a avenida, penso se vou ficar surda. Canto baixinho as mesmas músicas de sempre, mas acho que o cobrador pode ouvir. Não me importo. O problema são esses pelos nas pernas! Decido descer no shopping e comprar uma meia calça. Faz séculos que não uso uma. Tenho quase vinte anos, e me vesti hoje como um menina de catorze. Mas é melhor que ver os olhares julgadores pros meus pelos. Será? Não sei. Não sei de nada hoje. Corro pra pegar o ônibus, não devia correr. Sinto meus pontos latejarem um pouco dentro da boca seca. Que dia quente! Que meias quentes! Odeio ser insegura.



sábado, 6 de abril de 2013

300 segundos.

A Universidade Federal do Ceará conta com campus distribuídos por  várias cidades do estado, mas principalmente em Fortaleza. Um dos mais famosos com certeza é o Campus do Pici. Esse por sua vez tem três entradas, sendo a mais comum a da Av. Humberto Monte, de onde sai um ônibus exclusivo do campus que auxilia o transporte dos alunos. Entre a entrada e a parada da biblioteca são apenas 5 minutos, mas os 5 minutos mais longos de todos. Nesses 300 segundos, todos os dias, se passa a minha vida inteira.
O ônibus chega, e ele entra correndo, quase não daria tempo, mas o motorista quase sempre espera. Usa óculos e mochila, como quase todos os outros estudantes. Usa sapatos, no entanto, e parece muito sério.  O que será que escuta nos fones de ouvido? Não sei e provavelmente nunca vou descobrir. Na curva da saída da agronomia a gente se casa. Ele me olha comovido e diz sim. No açude se passam os próximos 30 anos das nossas vidas.

Primeiro veem a nossa casa pequena, e então os gêmeos. A gente compra um apartamento maior e os meninos já são adolescentes roubando a chave do carro. E lá estamos nós de novo,  na frente dos convidados, mas dessa vez como pais do noivo. Ela joga o buquê e no estante seguinte estamos na maternidade. No fim do açude ainda somos jovens, mas já queremos descansar. Na curva da rotatória nos mudamos pra uma cidade menor no interior, ele sempre quis morar perto da praia. Abrimos um pequeno hotel e lá ficamos o resto dos nossos dias. Na parada da biblioteca ele vai embora e nunca mais nos veremos de novo.
Na outra quarta-feira entediante entra um moço moreno, cabelos longos, barba rala. Com ele eu viajo a América do Sul com uma mochila nas costas. Na mesma parada da agronomia onde me casei ontem, hoje bebo com argentinos num pequeno hostel em Santiago. Voltamos pra casa e temos nossa própria horta, no açude fazemos mais amigos e histórias pra contar. Não temos filhos. Ele é um oceanógrafo e eu uma professora que dá notas mais baixas pros alunos que faltam demais, mas nunca os reprovo. Moramos numa casa com muitos espelhos e livros, mas ele me troca por uma menina 20 anos mais nova na curva da rotatória. Eu também caso de novo e me mudo com um daqueles argentinos com quem nunca perdi contato e passamos nossas férias na Patagônia. Dessa vez só eu quem desço na biblioteca.

Todos os dias eu vivo a minha vida inteira e vejo ela ir embora pra nunca mais. A UFC tem alunos demais.

I'm going crazy

Quando eu fiz 18 anos eu pedi aos meus pais que me dessem de presente uma viagem. Eu nunca tinha saído do estado, e eu queria muito conquistar novos horizontes. Aos 18 anos eu entrei sozinha em um avião pela primeira vez.
Então eu fiquei assustada pela mudança de cenário, mas principalmente pela solidão. É assustador ficar longe de tudo que você conhece. A casa dos meus tios era um lar, mas eles só me mostraram a vizinhança quando eu tava quase indo embora. Eu passei muito tempo comigo mesma. E sem livros (grande erro) ou qualquer instrumento de distração. Eu passei tempo de mais comigo mesma. E eu nunca mais fui igual.
Desde então eu tenho evitado ao máximo o silêncio dos meus pensamentos, principalmente depois que eu ganhei um smartphone. Eu faço qualquer coisa até a hora de dormir, menos pensar demais. Pensar sobre mim me assusta, e então eu me canso e durmo.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Porque todos os dias chegam.

Eu não sei por onde começar esse post, talvez pelo dia que eu percebi que meu sorriso não era como o de todo mundo ou quando eu não conseguia abrir o saco de dindim.
Eu lembro de como eu detestava a minha dentista quando eu tinha 11 anos, ela me mandava morder quando não dava mais e eu era só uma criança. Mas meus olhos marejaram quando ela falou que o aparelho não resolveria nada e eu teria mesmo que operar. Foram 6 anos até que eu voltei ao dentista e comecei a encaminhar as coisas de fato pra cirurgia. Era pra ter sido rápido, a qualquer momento. Mas a vida é assim, escolhe o tempo que ela quer afinal.
Amanhã a minha vida vai mudar pra sempre, e eu não sei descrever o que me assusta mais. O desconhecido, os 30 dias sem poder comer, eu não gostar... Eu criei o mínimo possível de expectativas, mas  continua assustador. O meu atual dentista parece meio bobo as vezes e é ele que vai decidir como eu vou ficar no final das contas.


Contudo, não tem como não valer à pena. Tem coisas tão pequenas que fazem falta que só quem sente a falta sabe descrever.
Amanhã é o dia que eu nasço de novo, amanhã é o dia que eu sempre esperei pra acabar com todas as minhas desculpas. E é disso que eu também tenho medo, de no final, eu ter me apegado tanto a minha zona de conforto de quem adia viver, que eu nem vá saber pra onde ir.
Amanhã será hoje e será ontem.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

I survived

Hoje faz uma semana do dia que fui a casa dele pela última vez. E a saudade já foi tanta que parece um ano. Mas nesse dia ele soltou minha mão para atender um daqueles telefonenas.
Esse nem é o problema.
O problema é que ele não deveria segurar minha mão se sabe que vai soltar.

dezembro de 2012

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Não pode ver que no meu mundo um troço qualquer morreu

Já dizia a frase clichê que o contrário de amor não ódio e sim a indiferença.

Às vezes acontece assim, aos pouquinhos, as pessoas vão fazendo outras coisas, falando de outros assuntos que já não interessam, indo por outros caminhos e um dia o amor acaba. Não sobra nadinha além de um monte de desinteresse. Aí você encontra ela no ônibus, dá aquele sorriso amarelo, fica triste de ter que tirar o fone de ouvido mas pergunta da vida. A parada chega, você desce e pensa como até que foi bom, mas que pode acontecer de novo daqui uns 2 anos que não faz mal.

Mas eu assisti, na verdade senti, algumas pessoas caírem nesse vão da indiferença como uma marionete que tem as cordas cortadas. É assustador, mas é como se a Medusa te olhasse nos olhos e seu coração virasse pedra. Não o coração todo, só aquele pedacinho que aquela pessoa ocupava. E pronto, não é raiva, não é desgosto, é só um tanto faz, que é melhor que seja não.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Sweetie

Tem essa menina, que morava na mesma rua que eu, e de certo modo eu me via nela. Nós, inclusive, nos apaixonamos pelo mesmo garoto perdidamente, mas em épocas diferentes.
Até as roupas que eu já pensei em usar, mas tinha preguiça de descobrir onde vendia, ela usou.
Algumas coisas nela eu admirava, quase invejava até, mas guardei pra mim.
Essa menina posta fotos de final de semanas felizes, mas eu acho mesmo que ela não é.