sábado, 13 de outubro de 2012

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Te encontrei num lugar onde as pessoas vão pra ficar sozinhas no meio de outras. Do teu cabelo, dos teus sapatos e do ar de superior eu falo depois. Agora eu quero me lembrar do teu cigarro, da maneira como expulsava a fumaça da tua boca, e como batia o dedo para derrubar as cinzas no copo vazio de café. 
Eu sempre me eduquei a mal dizer quem fuma, mas esqueci que alguém podia casar tão bem como o símbolo torpe da juventude transviada. Pra resumir minha ideia: você estava putamente lindo. E com certeza sabia disso, só essa consciência sustentaria teu ar esnobe. 
Você passou os dedos pelos fios lisos do topete desgrenhado. Acabou o cigarro e para minha surpresa seu charme só fez aumentar quando desfilou seu corpo esguio até a lixeira. Devia ser proibido existir alguém tão tortamente belo.
Olhando para você isoladamente, nada era perfeito. O nariz um tanto torto, sobrancelhas falhas, a coluna nada reta. Contudo, tantas imperfeições tornavam o conjunto ideal.
Você passou por mim. Tinha um aroma que misturava o cigarro, o café e uma lavanda que eu não sabia de có. Até o teu cheiro fazia sentido.

3 comentários:

anhap disse...

tu ta falando do meu joão é? rsrs.
nunca gostei de cigarro - aquela fumaça sempre tapa minha garganta, é um horror-, mas confesso que ver ele com aquele cigarro e fumaça fedorentos, colocando as cinzas num copo de vazio de café e depois caminhando pra jogar na lixeira, era uma das coisas mais lindas de se ver. dava vontade de nunca parar de olhar rs

Te entendo.. 'Devia ser proibido existir alguém tão tortamente belo.'

Mauany disse...

Sabia nem que o João fumava. hahaah

nádia c. disse...

ai como tu escreve bem! Orgasmei.