terça-feira, 26 de julho de 2011

"Todos somos filhos de Deus, só não falamos as mesmas línguas."

Os livros de Geografia apontam os termos  Primeiro e Terceiro mundo como obtusos desde a queda da União Soviética, que constituía o tal Segundo Mundo. Mas o fato é que vivemos em um planeta de múltiplos mundos, e não me refiro a infinitos particulares, eu falo de linhas invisíveis, porém bastante reais.

A principal janela que interliga tais mundos é a  televisão, o noticiário das oito que só tem audiência porque vem antes da novela. Na mesma banca onde vendem os jornais com manchetes gritantes sobre corrupção e baixa do dólar vendem revistas com quem são os possíveis assassinos do Léo. Quão fácil se torna para o cidadão comum separar ficção da realidade? E quem se importa? Mês que vem é outro enredo com o mesmo final no horário das nove  e o jornal já virou forro de gaiola. A questão é que, diferente da novela, os problemas não se encerram no último capítulo, por mais que os jornais esqueçam o fato, ele ainda vai existir.

O Japão tremeu todo em grandes terremotos alguns meses atrás, parte da população (que se intitula "antenada") se solidarizou (Pray for Japan) e comentou bastante. Mas e agora? E quem lembra que todo um país tem que conviver com a radiação e com  a incerteza de como a vida deles será afetada por isso, quando tudo que recebem do governo são informações incertas e conflitantes? E quem sabe nos dizer como isso nos afeta? Quem sabe dizer quantas pessoas nem sabem onde o Japão fica? Muitas.

Comparado ao Universo, a Terra não é mais que um grão de areia, no entanto, se comparado a um mero indivíduo o Planeta é muita coisa. E, talvez, para não se sentir tão ínfimo, o sujeito encolhe, inconscientemente, o mundo a sua volta. E este perde o senso de unidade. Senso que após perdido não é de fácil recuperação.

E difícil, mas necessário, assimilar que tudo aquilo que ouvimos e soa tão distante, pertence a nós também. As primeiras fronteiras que devemos derrubar são as da nossa cabeça.

Foto surripiada do álbum da Clarisse Queiroz no Facebook