quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Desesperadamente eu grito em Português”

Não acredito em quem fica sad ao invés de triste.
                                                       João.
                Falar um segundo idioma se tornou imprescindível no mundo atroz que vivemos atualmente e o preferido pra ocupar a posição de segunda língua em trocentos por cento dos casos é o Inglês. Britânico de Londres, Britânico com sotaque indiano, Americano do Texas, ou com sotaque cearense, whatever, o importante é ‘speak in english’ por aí.
                E as razões pra se estudar inglês hoje são muitas: profissionais, acadêmicas, pra assistir seriado sem legenda, pra fazer legenda de seriado e ter o apelido nerd aparecendo no começo do episódio, ou pra colocar imagens bonitinhas no tumblr, blog, weit, e achá-las descomunalmente lindas só porque tem uma frase em inglês e você faz parte da minoria brasileira capaz de entendê-la. Mas esse não é o meu ponto.
                A questão é que poucos de nós temos contatos com nativos dispostos a falar seu idioma conosco e pra praticar temos que recorrer a um amigo brasileiro, escrever textos e tentar melhorá-los, ou a melhor de todas: falar sozinho em inglês em qualquer oportunidade. Quando menos se espera está falando no banho, enquanto anda na rua, pensando em inglês no ônibus, rabiscando frases na carteira durante a explicação do professor, riscando na prova se maldizendo por não ter prestado atenção naquela aula e agora não saber o que fazer.
Você esbarra em alguém na rua e diz “sorry”, pra pedir licença usa “excuse-me”, pra começar o post “well”, pra xingar “(son of a) bitch”, quando estar entediado “boring”, apaixonado “in Love”, agradece com “thanks”, fica cansado com “tired”,  e o seu dia ruim “sucks”. Ninguém mais é egoísta, todo mundo é “selfish”, tropeça na pedra escapa um “shit”, algo maravilhoso comenta “amazing” e pro que é só bacana diz “nice”. E a lista não para por aqui.
 Eu tenho absolutamente nada contra a “biglotar” pelo mundo, até porque eu mesma sou uma dessas (e até “trigloto” quando meu alemão consegue formular alguma frase decente). A verdade é que temo que esqueçamos como nos expressar em nosso próprio idioma, principalmente pra essas coisas “pequenas” do dia-a-dia. Essas expressões corriqueiras. Qualquer chance de neologismo é logo trocada por uma palavra descolada do inglês que nem se sabe o significado de fato, mas vai servir perfeitamente pra definir o que você acabou de inventar, mas já existe há muito tempo. Eu sei que “pra sempre sozinho” não soa tão engraçado quanto “forever alone”, que quase ninguém vai falar “sítio” no lugar de “site” e nem trocar “pessoa não muito confiável que dedica horas do dia a pesquisar sobre a vida dos outros” por “stalker”. But sometimes, only sometimes, just try to show your feelings in your own language*.  

* Mas às vezes, só às vezes, apenas tente mostrar seus sentimentos no seu próprio idioma.




P.S.: Isso aplica ao a quem paga de Cult-Indie-Moderninho falando Francês, quem paga de made in China, Japan, Korea falando Chinês, Japonês, Coreano, quem paga de menor revolts falando Alemão, quem paga de Nasa falando Hebraico, e todos os outros.

P.S2:  Esse “P.S” é muito romântico.

P.S3: Esse “P.S” me lembra o play station 3.

P.S4: Não se importe com nenhuma das palavras ditas anteriormente (e não é nada pessoal), se expresse do jeito que bem entender. E parabéns pra você que consegue fazer isso em Hebraico.

4 comentários:

Robério Marques disse...

Ok! Continuarei "tentando" expressar!
Adorei o post má! Neu? Ich glaube dass nicht!

anhap disse...

Obrigada pelos parabéns! Eu sei me expressar em hebraico \õ/


Na verdade não sei, mas... deixa pra lá :P


Eu simplesmente adoro os teus posts, Mauany!

Morgana Gomes disse...

Me senti uma merda depois de ler teu post, BUT (HUAIJHUS) acho que (pelo menos no meu caso) é noobice e aquela ansiedade aprender mais e mais palavras e blá blá blá. Olha pra mãe, ela só fala coisas úteis em inglês, deve ser por isso que muitas vezes eu não entendo. mas estamos aí pra isso..

Levi Moreira disse...

gatenha, deixe o inglês dominar a sua vida. Ela nunca mais será a mesma depois disso. uahsuahsuhauhsh