sábado, 11 de setembro de 2010

Porque quando não tenho nada pra falar, eu falo mesmo assim.

Então, eu estava muito cansada de todo meu egocentrismo e de apresentar e representar todos esses eus que eu venho sendo. Resolvi fazer mais “cotidiano” digamos assim, basta de densidade. Vivamos a superfície do corriqueiro.
Acho que a coisa mais dia-a-dia pra mim é pegar ônibus, e essa experiência coletiva (no sentido mais literal da palavra) permitiu-me algumas observações que quero aqui dividir com vocês.


ASSENTO PREFERENCIAL
“Ceder o lugar não é um favor, mas um dever”
Eu desisti de escrever aqui, mas saibam que me causa um tipo de indgnação.
MOCHILAS
Existem mochilas que deveriam pagar passagem; a minha, por exemplo. Eu não tenho culpa de ter que carregar uma casa inteira nas costas. Sou dessas que passam o dia fora e precisam de roupas, livros, tênis e coisas assim na bolsa. Ainda pegam ônibus no horário mais contato humano que existe. Desses que você pode se soltar e não cair, já que não tem espaço pra você cair. Quando eu subo no ônibus eu já vou calculando perto de quem eu vou ficar (isso quando dá pra andar  no corredor ainda), vou reparando se a pessoa já tem coisas no colo, se tem cara de estudante que entende o meu drama, se tem cara de tiozinho simpático. Às vezes funciona, às vezes não. E o que eu acho mais engraçado é que a pessoa vê o tamanho da sua mochila e pede o seu caderno de uma matéria que está na sua mão. Por isso eu faço esforço enorme pra pôr tudo na mochila e não ter nada que eles possam pedir, além dela. Na pior das hipóteses eu tenho que colocá-la no chão, eu detesto isso, mamis disse que dá azar. De todo modo, quando eu estou sentada eu sempre peço os pacotes alheios. Faça isso também. Só não desça e esqueça a sacola com o celular e um album que você acabou de ganhar no amigo secreto com um estranho. Mesmo que ele tenha um bom coração e desça antes da parada dele só pra te entregar.

CADEIRA AO LADO

Quando você pega um ônibus vago as pessoas vão entrando e normalmente sentam em cadeiras perto da janela. Depois de certo ponto só sobram as do corredor e aí eu fico pensando, a cada um que entra, quem vai sentar ao meu lado. Porque eu seleciono (quando possível) o meu companheiro de viagem. Logo, eu imagino o que as pessoas estão pensando quando passam direto por mim. Quando eu fico com o último lugar vago, me sinto tão estranha; excluída, um ser humano pior. Não consigo explicar, mas quando, entre todas as cadeiras, sentam-se ao lado da minha eu sinto uma alegria quase indescritível.


O CORAÇÃO DAS CARTAS DOS ÔNIBUS

Eu costumo olhar todas as coisas e vê “personalidade” nelas. Principalmente em letras, número e cores. E acabo vendo em ônibus também. Então eu vou fazer um sucinta lista.

- 030 – Siqueira/Papicu/Via 13 de maio – Eu vejo como uma mulher magra, chata e mal amada.
- 029 – Parangaba/Náutico Eu vejo como um homem gordo e de bigode loiro. Um tanto simpático, mas não muito.
- 403 – Expedicionários/Centro (eu não sei o nome) Mas eu vejo ele como o um cara de uns 30 anos, com jeito de safado e tio do 413
- 413 – Expedicionários/Parangaba (vulgo parangaba-cefet) Sobrinho do  403, um garoto de uns 10 anos muito dedicado e bonitinho.
- 314 – Henrique Jorge /Centro (eu acho) – Magro, fracassado e sem graça.

Têm outros, mas agora está tarde e as minhas costas estão doendo. Ré. Muito.



experimentando, até mais.

2 comentários:

Morgana Gomes disse...

Demorei, mas li q
1: a menina da foto me lembrou a kathleen;
2: é só "henrique jorge" e eu ri da descrição dele HUAIJSHUS;
3: num onibus lotado, eu tento ficar longe dos caras suados, mas essa de se localizar pra pedirem sua mochila é muito boa também

Levi Moreira disse...

já li esse post antes
achei bem legal
principalmente a parte dos onibus
lembra q as ruas tbm tem personalidade????
de fato, minha mochila precisa de um lugar no bus. e de fato ninguem segura ela.