sábado, 29 de maio de 2010

"Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça..."

Acordei meio-dia outra vez. O último dia letivo da semana. Meu limite de faltas em Biologia já extrapolou e tudo por atraso, pontualidade nunca foi o meu forte. Saí pra pegar o ônibus que não passou. 30 minutos de espera e a redenção. Sentei ao lado de um cara com uma maleta engraçada. Falei sozinha. Disse: Não, não foi nada disso. Ele olhou pro lado sem entender ao certo porque proferi tais palavras. Não é tão incomum que coisas do tipo escapem inconscientemente.  Sou eu andando pelas minhas masmorras, onde vivem meus arrependimentos mais tolos. Aqueles que eu nem percebi que havia me arrependido. Só olhando sob outra perspectiva é que me dou conta. E como um soco, a realidade me atinge em cheio no estômago e deixa as palavras escaparem assim, como um gemido de dor. E então acrescento mais um fantasma a lista que já não era tão pequena.
E esses ficam andando de um lado pro outro, vindo à tona vez em quando. Há uma maneira de exorcizá-los ou ao menos parte deles. Mas isso envolveria outras pessoas e lidar com outras pessoas é quase tão difícil quanto conviver com essas lembranças. Aí não sei o que faço.
Então o telefone toca. É a minha mãe. Eu tinha ligado pra ela pouco antes pra dizer que ia me atrasar pra Biologia outra vez. Fiz um drama, disse que a culpa não era minha e sim do falido sistema de transporte coletivo. Ela ligou pra reforçar o fato de que quando eu finalmente chegasse à escola devia falar com a professora, tentar explicar e pedi que ela desse a minha presença. E mesmo que ela fosse insensível eu tentasse conversar. Cooonveeerrrssaaaaarrrr... Essa palavra tem soado estranha ultimamente. Parece que tenho desaprendido tal prática. Falar com outras pessoas, ainda mais quando não são as de sempre, tem se tornado estranho. Não sei o que digo ao certo, tenho medo, tenho vergonha, me perco e não encontro mais as palavras. Logo as palavras que foram sempre tão próximas de mim... O que está acontecendo? Não sei.
Talvez isso nem seja verdade. Talvez seja mais um pouco de drama barato. Tudo o que há de concreto são os abstratos habitantes da minha masmorra.

Adels.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

haha'

    Bom, o Robério me convidou a participar de uma brincadeira que é assim: você tem que falar 6 coisas que seus amigos não sabem sobre você. Eu conto praticamente tudo aos meus amigos, mas procurei aqui coisas que eu imagino que eles não saibam.
    A brincadeira é uma corrente, o Robério recebeu de alguém que já tinha recebido de alguém. Eu não sou muito do tipo que passa coisas pra frente, mas essa eu vou passar. Tem que ser pra 6 pessoas, mas como eu não sou muito POP vou mandar pra uns 3 ou 4 '-'

    1. Quando eu li Crepúsculo eu quase comprei uma camiseta que tinha escrito:
        "Edward Cullen, please bite me."

    2. O item anterior foi a 2ª coisa mais idiota que eu quase fiz aos 15 anos.

    3. Eu tenho vontade de sair pelada pela rua de madrugada.

    4. Eu não conheci meu avô paterno, mas se eu tiver um filho algum dia, e o pai da criança não tiver nome melhor, será Augusto, como meu avô. Na verdade Luiz Augusto, como meus dois avós.

    5. Eu já tive uma máquina de datilografar.

    6. Desde pequena eu sigo e descubro coisas sobre pessoas que eu não conheço.

    Bom, essas foram minha seis coisas "contáveis".
    Foi divertido, mas eu tive que discartar milhares de coisas, ou vocês nunca mais falariam comigo (6)

Beijos.

sábado, 15 de maio de 2010

domingo, 9 de maio de 2010

Pra não dizer que não falei em flores.

Bem, quinta-feira passada, como alguns devem saber, foi meu aniversário. Desde que eu comecei a escrever esse Blog eu esperava especialmente por esse dia. Normalmente eu fico bastante "falante" nessa época do ano. E doente também. Eu sei que eu fico doente o ano todo, por assim dizer, mas nas vésperas do meu aniversário eu desenvolvo todo tipo de enfermidade; bronquite, conjuntivite, crise de rinite e todas as outras coisas com “ite” que você poder imaginar. A verdade é que eu devia ter escrito todas as coisas sobre completar 17 anos quando eu ainda figurava os 16, porque as palavras têm escapulido de mim. O fato é que eu tenho escrito uma porção de coisas, mas logo em seguida eu as descarto. Mas talvez aquela minha crise de “estou ficando Old” e o surto sobre adolescência de posts atrás já tenham sido reflexos sobre essa mudança etária.
            No dia que em que você troca de idade um monte de gente chega e pergunta “E aí, como você se sente com x anos?”. Normalmente eu me sinto do mesmo jeito que eu me sentia um, dois, três dias antes. Do mesmíssimo jeito. Mudar de idade é que nem mudar de era na história. Ninguém acordou um dia e falou “Caramba! Até ontem estávamos na idade moderna, agora o mundo acordou na era contemporânea”. Só vieram perceber isso tempos depois, e é assim com a idade também. Você acorda e sabe que tem 17 anos. E nossa! São 17 anos! Você já fez uma porção de coisas, sua mãe nem sabe de umas e acha que você fez coisas que nem fez. Mas é muito tempo! Daqui a pouco você pode dirigir, ser preso, entrar nas boates, ter orkut piada da Morgana e coisas assim. Mas no dia 6 eu acordei a mesma que acordou dia 5. Talvez com menos dores, ou talvez com mais rugas, mas a mesma. Porém não foi essa Mauany que acordou no dia 6 de maio de 2009.  Toda maravilhada com os 16 anos, marcando Pizza com a galera. Feliz com a vida de P2, estudando muito Física pra não ir mais uma vez pra prova final do Célio Normando, adorando o cantinho “inóspito”, feliz com as provas de Alemão, a vida era outra.
            Ok. 17 anos, não vou fugi de casa às sete horas da manhã do dia errado, não deixei pra trás os pais e o namorado. Não vou votar, porque adiei tanto tirar o título que ficou tarde demais, vou reprovar em Biologia por chegar tantas vezes atrasada, tenho resgatado algumas amizades, estragado outras, ouvido todas as músicas da Biblioteca do media player que até então não tinham sido executadas, achado tudo menos encantado, mas ainda achando a vida digna de um seriado.





Até breve.