sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sofro de um mal chamado adolescência.

 É isso que me deixa assim, tão incerta de tudo. Que me impede de assassinar tudo o que escrevo, essa insegurança pintada de timidez. É isso que me deixa tão dramática, achando que tudo é o fim do mundo. Que se eu não fizer isso agora, não farei nunca mais. É numa pasta com esse nome que vou guardar os meus maiores arrependimentos. 
Mesmo eu tendo querido inverter e deixado para vivê-la em outro espaço, não deu. Ela me arrastou como as ondas imperceptíveis que te arrastam quando se está no mar. Você percebe que sua referência está um tanto deslocada, mas no mar da pra caminhar e voltar pro ponto. O tempo não anda pra trás. 
Claro que ela tem o seu doce, a felicidade clandestina. De poder rir, cantar alto com os amigos no ônibus e todos entenderam a demência chamando-a de adolescência. Ela é uma pré-requisito pra vida toda. Se você não passar por algumas coisas, lá na frente vai acabar bancando o adolescente tardio, e isso não é nem um pouco feliz.
Já me disseram inúmeras vezes que esses são os melhores anos da sua vida. Isso me assusta um bocado. Quer dizer que os melhores anos da vida de alguém é quando ele está afundado num poço de incertezas? É quando o jogam as feras contemporâneas e não menos cruéis que ele próprio? É divertido observar a selva, mas é bem difícil viver nela. Ainda mais se estiver sozinho, por isso que sempre andamos em bando. Assim nos sentimos fortes o suficiente pra rir dos outros e chorar nos ombros próximos. Nos sentimos aceitos e compreendidos. Mas às vezes para isso temos que nos pintar tal qual. Assim os pelos são tosados, ou não, e coloridos de cores que gritem pra os outros de que tribos somos.
Sabe qual a melhor jaula pra observar tais feras? Uma que chamam de escola. Lá é o manicômio onde conhecemos e nos aproximamos de vários dos dementes que farão parte da nossa cruzada complicada em busca do futuro. É lá que nos "educam". Nos tratam como crianças grandes. Dizem que temos que tomar decisões e escolhermos o que faremos no resto da vida. Mas como?
É nessa época também que nos tornamos números. Nos dão RGs, CPFs, dizem que podemos escolher nossos representantes, dirigir e tudo mais. É muita informação ao mesmo tempo. Por isso que alguns quebram. Nem todos conseguem passar por aqui de queixo erguido. E alguns gostam tanto que jamais saem. "A juventude é a embriaguês sem vinho."
Sinceramente, apesar de tudo, não sei se tenho me embriagado o suficiente. Mas posso dizer que, de modo geral, todos os meus dramas e incertezas foram divertidos. Que é doce se arrepender. Que é bom tentar. Já posso dizer também que você não é tão maduro quanto imagina e que é bom não querer bancar o adulto o tempo todo. Liberte-se. Vista o que quiser. Você acaba sendo aquilo que mostra, pelo menos pros outros. Ouça o que quiser também. Não tenha medo de assumir que ouve e até dança Parangolé no quarto, se for isso que te faz feliz. Não seja como um líquido, que se adapta a qualquer recepiente que chamam de companhias. Mas também não seja tão sólido a ponto de se tornar intagrável. Procure a gelatina, sei lá. Banque o Cult/Indie/Nerd. Essa é a onda do momento, manolo. Não faça sentido. A metáfora, não necessariamente, precisa ser entendida. Faça um blog, diga que ele vai ser uma porcaria, seja clichê. 




O título do post venho desse twitter: ilooklikeshit.


Até o próximo surto.
 


4 comentários:

- Tucca ; disse...

Eu não danço Parangolé no quarto, -Q

Robério Marques disse...

Nossa, não tão diferentes dos outros, esse post é bem tua cara mesmo. Mostra os teus pontos de vistas, mostra as tuas conclusões e mostra o quão certa você está.
"Já me disseram inúmeras vezes que esses são os melhores anos da sua vida. Isso me assusta um bocado. Quer dizer que os melhores anos da vida de alguém é quando ele está afundado num poço de incertezas? É quando o jogam as feras contemporâneas e não menos cruéis que ele próprio?".
A adolênscia é sim um momento muito bom em nossas vidas, mas também é repleto de dores e amarguras. Coisas de jovens. Só nós sabemos como pensamos, ou sei lá, as vezes nem pensamos né? Apenas somos o que somos, tentando sempre melhorar. E mesmo descobrindo que somos imaturos sim e que ser adulto é chato, nós (eu acho que a maioria quer)queremos isso. Evoluir, tornar alguém mais cabeça, alguém com menos incertezas, com mais chão. Só temos medo de perder o nosso lado jovem eu acho. O nosso espirito.
"posso dizer que, de modo geral, todos os meus dramas e incertezas foram divertidos. Que é doce se arrepender. Que é bom tentar."
No fundo, gostam's dessa forma de viver!

Morgana Gomes disse...

Então, já que você há algum tempo pediu pra eu "parar de ser feliz", vou acreditar que você acha que tudo que você escreveu, é verdade. Mas eu concordo contigo sim. Sem a parte do Parangolé, não caiam nessa, crianças. Q

-=| Ana Paula |=- disse...

"Até o próximo surto". Morri de rir aqui... rsrs.

Sei que és uma garota dramática, Mauany. É seu tema favorito para filmes, né, o drama? Bem, eu sou um tanto apegada a pessoas assim, o que me deixa numa certa saia-justa com pessoas de meu convívio.

Tento ser sempre a adolescente diferente (me igualando a todos, com isso). Faço o máximo que posso para ser "A CARA", a rainha dançante, como dizem alguns...

Mas o engraçado é que, nas noites insones presenteadas pela cafeína do dia, eu penso em muitas coisas. E quase chego a chorar... muito sensibilizada com tudo o que acontece comigo e com o mundo.

Nesses momentos eu te entendo perfeitamente. Talvez mais do que você mesma se entenda, porque vêm tudo de uma vez para cima de mim, aquela angústia que luto para deixar implícita. As dúvidas, incertezas... as confusões da idade.

Belo texto. ^^