segunda-feira, 24 de abril de 2017

A minha cabeça tá uma bagunça

I am tired. Ich bin müde. Eu estou cansada. Yo estoy cansada.

Tem muita coisa acontecendo na minha cabeça, na minha vida, no meu gosto musical. Tem pouco tempo. Tem muita procrastinação.

sexta-feira, 3 de março de 2017

O privilégio da mediocridade.

A Viola Davis, rainha de todas nossas vidas, recentemente se tornou a primeira atriz negra a receber um Tony, um Globo de Ouro e um Oscar. Em um de seus discursos pós premiação, Viola conta sobre sua infância na pobreza, em um prédio infestado de ratos e sem ter o que comer. Ela jurou a si mesma que essa não era a vida que queria pra si. Opiniões a parte sobre essas histórias e como elas são representadas, isso me fez lembrar de mim mesma na infância. 
Minha mãe engravidou aos 20. Meu pai tinha 25. Ambos de famílias não muito estruturadas. Minha mãe a mais velha de 6 irmãos, desde os 15 saiu da escola particular e foi trabalhar porque se recusava a receber dinheiro do pai que saiu de casa por uma birra (e nunca mais voltou, embora dividisse o mesmo quintal com a minha avó). Meu pai, preto, pobre periférico, um de cinco filhos, teve pólio na infância, aprendeu a ler com 12 anos de idade. Ambos se conheceram nos movimentos estudantis e na boemia política da cidade de Fortaleza. A vida era ok. Montaram um bar que depois venderam quando eu nasci e se mudaram para uma cidade da região metropolitana. 

Ela virou secretaria escolar da prefeitura, assalariada. Meu pai, um pouco disso outro daquilo tentando se encontrar. Anos depois seria nas artes, o que não é lá o mais financeiramente recompensador, mas rico de outras maneiras. 

Aí vem eu, a vida não era tão difícil, mas era apertada de alguns modos e desconfortável de jeitos que é melhor esquecer. Eu tinha livros, mas computador só via de vez em quando. E o que mais me incomodava era a escola. Eu estudava em uma escola na outra rua, pública. Eles tentavam o melhor, mas eu detestava cada segundo. Era fácil demais ser a melhor aluna. Não tinham desafios, não tinham propostas, não tinha ninguém lá que se parecesse comigo. Era bom pra correr e brincar, mas depois que isso se tornou secundário, cada dia eu só sonhava em sair dali. Então eu disse pra mim que seria pura excelência; entraria na universidade com 16, no mestrado com 20, 22 no doutorado e ganharia o mundo. Falaria 10 idiomas. 

Eventualmente essa energia foi direcionada a eu consegui entrar numa escola federal, uma das melhores do estado, difícil de entrar, sem ter nenhum cursinho como a maioria. E mais ou menos nessa mesma época minha mãe tinha voltado a estudar e se formou em pedagogia. Pouco depois passou em um concurso melhor em Fortaleza. A arte do meu pai também prosperava e agora a vida já não era mais tão apertada. 

A vida na verdade era boa e eu finalmente tinha desafios para lidar. Amigos que dividiam o gosto (e a oportunidade de ter) por livros, cinema, música, idiomas. Estudava alemão e inglês e ainda continuava boa o suficiente pra me sobressair, mas foi cada vez mais fácil me acomodar. Nunca aprendi a ser a maior programadora da vida no ensino médio, e nem na faculdade. Eventualmente eu me tornei medíocre. 


E às vezes aperta a tristeza e a sensação de que eu não cheguei a onde as pessoas imaginavam que eu chegaria, porém eu tenho certeza que aquela Mauany que se balançava numa rede na sala sonhando com a vida no futuro estaria absolutamente feliz de saber que chegamos onde chegamos. Que a vida se direcionou de seus jeitos certos e tortos para aquelas coisas que ela sonhou. Ela talvez tivesse vergonha que eu leio pouco, e não escrevo tão bem. Mas os idiomas, os países conhecidos, as pessoas com as quais essa vida tem sido compartilhada; tudo isso para ela parecia tão extraordinário que só um mestrado, doutorado (que vão chegar aos 34 em vez de 24) seriam capaz de propiciar. 

A mediocridade é um privilégio. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Que se danem os livros de história

Tem sido impossível abrir qualquer rede social ou jornal sem ser bombardeado por inúmeros absurdos dos governos ao redor do mundo. E o pior de tudo é que há tempos se foi a esperança de que alguém com bom senso há de nos acudir. De certo entramos em uma era que não se sabe quando termina, mas se sabe que é só o começo.

Em meio a tantos absurdos alguns repetem "os livros de histórias nos farão justiça". E para mim soa tão vago e preguiçoso quanto dizer que a justiça divina fará o que a 'justiça dos homens" não fez. Se existe algo que podemos aprender hoje é que tanto faz os livros de história. Tem gente mentindo em rede nacional e chamado de fatos alternativos. Tem gente dizendo que não houve holocausto, que o nazismo era de esquerda e que a ditadura não foi tão ruim assim. Que diferença farão no futuro livros de história quando parece que qualquer decência é associada a esquerda. E que algum grau de intelectualidade é tratado com desprezo, como se fosse errado saber das coisas. Que diferença farão os livros de história se o seu ensino se tornou optativo?

O que nos bate a porta é deveras assustador. É o constante ataque ao senso crítico e a qualquer tipo pensamento independente. É a cultura do copia e cola sem ler nem procurar entender, e até sem acreditar. É como viver numa constante idiotlândia que saiu das sombras e tomou conta de todos. As pessoas perderam a vergonha e agora se orgulham de sua estupidez.

São tempos difíceis para os que sabem interpretar texto.

Parahyba

Certa vez ouvi um desses causos onde o homem olha para um grupo de passarinhos e se pergunta porque eles ficam no mesmo local mesmo tendo asas, e então o homem olha pra si mesmo. 

No domingo a noite embarquei no ônibus rumo a Paraíba de supetão. Passagens compradas meia hora antes do embarque, mochilas empacotadas meia horas do uber chegar e 11h de viagem a nossa frente. A gente tinha uma missão nessa viagem, mas a vigem também tinha uma missão para mim. Fazia  tempo que eu não me jogava assim no mundo de maneira tão aberta e me lembrou de novo o que significa viajar. A conexão que você faz com os outros e por vezes melhor e maior que as novas paisagens que a gente encontra. 

Ouvi sotaques, estórias e risadas que vou guardar comigo. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Menina de Engenho

Meu pai tem um grupo de teatro. "Ter" pode nao ser o verbo mais adequado, mas ele tem. Eu cresci junto com esse grupo, mas sempre o reneguei. Meu pai também nunca me aproximou dele. Mas poderia ter sido ótimo pro meu potencial criativo. Poderia ter escrio peças, poderia ter feito sites e cartazes. Outro dia eu tirei fotos pra um festival e todo mundo elogiou. Meu pai se sentiu muito orgulhoso. Mas eu acho que o grupo é como um irmao caçula de uma outra mulher, que eu vejo como alguém que roubou o pai de mim.

Minha professora sugeriu fazer o tcc sobre o grupo, talvez um documentário. Mas eu me recuso. Porém talvez seja uma boa ideia no final.